“E, por isso, procuro sempre ter uma consciência sem ofensa, tanto para com Deus como para com os homens.” (At 24.16).
Paulo estava diante de autoridades poderosas, sendo acusado
injustamente e colocado sob intensa pressão. Contudo, sua confiança não estava
na força de seus argumentos, na influência humana ou na possibilidade de ser
absolvido. Sua segurança estava em Deus e na esperança da ressurreição.
Atos 24.16 revela o resultado prático dessa esperança: Paulo
procurava manter uma consciência limpa diante de Deus e dos homens. Quem possui
uma esperança firmada em Deus não precisa viver dominado pelo medo das
circunstâncias ou pela opinião dos poderosos.
A verdadeira esperança não depende da situação ao nosso
redor; ela permanece firme porque está fundamentada em Deus.
EXEGESE
A expressão “e, por isso” conecta a conduta de Paulo
à sua esperança em Deus e à certeza da ressurreição apresentada nos versículos
anteriores. Sua expectativa futura produzia consequências concretas em sua vida
presente.
Quando Paulo declara: “procuro sempre ter uma consciência
sem ofensa”, ele demonstra que sua fé não era apenas uma convicção
intelectual. Havia um compromisso diário com uma vida íntegra. A esperança
celestial influenciava seu comportamento terreno.
A palavra “consciência” aponta para a dimensão
interior do ser humano, onde ele avalia suas atitudes diante de Deus e
reconhece aquilo que é certo ou errado. Paulo não estava afirmando ser
perfeito, mas demonstrava o compromisso de viver de maneira coerente com sua
fé.
A expressão “tanto para com Deus como para com os homens”
mostra a abrangência dessa integridade. O cristão não deve buscar apenas uma
aparência de espiritualidade diante das pessoas. Sua vida precisa estar em
ordem primeiramente diante de Deus e, consequentemente, também diante do
próximo.
Paulo estava diante de autoridades humanas, mas não permitiu
que sua posição diante delas determinasse sua fidelidade. Sua esperança em
Deus lhe dava coragem para permanecer íntegro mesmo quando estava sendo
injustamente acusado.
APLICAÇÃO PESSOAL
Há momentos em que também nos encontramos diante de
situações que parecem maiores do que nossas forças. Podemos enfrentar
acusações, injustiças, rejeições, portas fechadas ou pessoas que possuem
autoridade sobre determinadas áreas da nossa vida.
Nessas circunstâncias, somos tentados a agir por medo,
ansiedade ou desejo de vingança. Porém, Atos 24.16 nos chama a permanecer
firmes.
Primeiro, mantenha sua consciência limpa diante de Deus.
Não permita que a pressão das circunstâncias faça você abandonar seus
princípios.
Segundo, não permita que acusações humanas definam sua
identidade. Deus conhece a verdade do coração. Se estivermos andando em
integridade, podemos descansar na justiça do Senhor.
Terceiro, viva hoje à luz da esperança futura. Paulo
sabia que a vida não terminava naquela audiência. Havia uma ressurreição e um
encontro definitivo com Deus. Essa esperança lhe dava equilíbrio para enfrentar
o presente.
Quarto, não tenha medo dos poderosos quando sua confiança
está no Todo-Poderoso. Autoridades humanas podem julgar, acusar e decidir
muitas coisas temporariamente, mas somente Deus possui a palavra final sobre
nossa vida.
A esperança cristã não elimina todas as lutas, mas nos dá
força para atravessá-las sem perder a fé, a integridade e a paz.
VERDADE ESPIRITUAL
Quem mantém os olhos na esperança de Deus encontra força
para permanecer íntegro diante dos homens.
As circunstâncias podem mudar. Pessoas podem nos acusar.
Autoridades podem se levantar contra nós. Entretanto, aquele que deposita sua
esperança no Senhor não precisa negociar sua fidelidade para obter aprovação
humana.
A esperança em Deus produz uma consciência limpa, uma
vida perseverante e uma coragem que não se curva diante das pressões deste
mundo.
ORAÇÃO
Senhor meu Deus, fortalece minha esperança em Ti. Quando eu
estiver diante de situações difíceis, acusações injustas ou pessoas que parecem
ter poder sobre minha vida, ajuda-me a não agir dominado pelo medo. Dá-me graça
para conservar uma consciência limpa diante de Ti e dos homens. Que eu não
permita que as pressões deste mundo me afastem da verdade, da integridade e da
fidelidade à Tua Palavra. Ensina-me a olhar além das circunstâncias presentes e
a confiar na esperança da ressurreição e na vida eterna que temos em Cristo.
Que minha esperança em Ti seja maior do que qualquer ameaça, oposição ou
autoridade humana. Concede-me coragem para permanecer firme, sabedoria para
responder com mansidão e fé para continuar caminhando mesmo quando não
compreender o que está acontecendo. Que minha vida testemunhe que Tu és
maior do que qualquer poder deste mundo e que aqueles que esperam em Ti jamais
serão envergonhados. Em nome de Jesus. Amém.
UMA ESPERANÇA
INABALÁVEL PERANTE OS PODEROSOS
(Subsídio da
Revista Ensinador Cristão)
O apóstolo Paulo foi um homem que buscou ser fiel à causa do
Evangelho a ponto de não ter a sua própria vida como preciosa, contanto que
estivesse cumprindo integralmente a vontade de Deus (At 20.24). Para ele, o
viver era Cristo e o morrer era ganho (Fp 1.21). As acusações injustas e
opressões dos judeus contra Paulo o levaram a ter de comparecer diante dos
tribunais para responder a respeito da doutrina que divulgava em todos os
lugares por onde passava. De maneira respeitosa e coerente, Paulo responde ao
governador Félix acerca da sua fé na ressurreição dos mortos, tanto dos justos
como dos injustos (At 24.15). O grande cerne da sua defesa é o fato de que
Paulo tinha uma consciência sem ofensa, isto é, sem culpa perante Deus e os
homens. Isso significa que Paulo tinha convicção do que estava pregando e
porque insistia em pregar. A Bíblia de Estudo Pentecostal (CPAD)
explica que “A consciência é a percepção interior que testifica junto à nossa
personalidade no tocante ao certo ou ao errado das nossas ações. Uma boa
consciência diante de Deus dá o veredito de que não temos ofendido nem a Ele,
nem à sua vontade. A declaração de Paulo (provavelmente com referência à sua
vida pública diante dos homens) é sincera; note Filipenses 3.6, onde ele
declara: ‘segundo a justiça que há na lei, irrepreensível’. Antes da sua
conversão, ele chegou a crer que praticava a vontade de Deus ao perseguir os
crentes (At 26.9). A dedicação de Paulo a Deus, sua total resolução em
agradá-lo e sua vida ‘irrepreensível’ até mesmo antes da sua conversão a
Cristo, deixam envergonhados e julgados os crentes professos que se desculpam
de sua infidelidade a Cristo, alegando que todos pecam e que é impossível viver
diante de Deus com uma boa consciência” (1995, p.1682). Nesse sentido, a
perseverança de Paulo era resultado do nível de convicção e solidez da sua fé.
Seu exemplo leva os crentes atuais a refletir até que ponto estão convictos da
fé que uma vez receberam (Jd v.3). Essa convicção encoraja e impulsiona o nível
de compromisso do crente para com o Evangelho e o distancia da hipocrisia,
mascarada nos movimentos falsamente espirituais. Tais movimentos, que se dizem
cristãos, canalizam sua atenção apenas nas manifestações espirituais e se
esquecem da formação do caráter cristão, fundamentado na sã doutrina e na
prática de boas obras consequentes de uma fé genuína (Ef 2.10). Para o bom
pentecostal, cheio do Espírito Santo, e comprometidos com o ensino das
Escrituras Sagradas, há uma consciência limpa de uma fé não fingida, baseada na
verdade da Palavra de Deus (2Tm 1.5).





