“Eis aqui esta terra, eu a dei diante de vós; entrai e possuí a terra que o Senhor jurou a vossos pais, Abraão, Isaque e Jacó, que a daria a eles e à sua semente depois deles.” (Dt 1.8).
O livro de Deuteronômio apresenta-se como uma renovação da
aliança entre Deus e o seu povo. Às portas da Terra Prometida, Moisés relembra
a Israel aquilo que Deus havia feito, aquilo que havia prometido e aquilo que o
povo deveria fazer para permanecer fiel à aliança.
Deuteronômio 1.8 é uma palavra de transição: “Eis que vos
tenho dado a terra; entrai e possuí.” Deus havia cumprido sua promessa;
agora Israel precisava avançar em fé e obediência.
A promessa não deveria permanecer apenas como uma lembrança
do passado. Ela exigia uma resposta no presente.
O Senhor continua nos chamando a viver à luz de sua Palavra.
A aliança nos lembra que pertencemos a Deus e que nossa caminhada deve ser
marcada pela confiança, obediência e fidelidade.
EXEGESE
1. “Eis que vos tenho dado a terra”
A expressão “Eis” chama a atenção do povo para uma
realidade estabelecida por Deus. A terra não era simplesmente uma conquista
humana; era um presente da graça divina, fundamentado na promessa feita
aos patriarcas.
Deus declara: “vos tenho dado”. Antes mesmo de Israel
entrar na terra, o Senhor apresenta a promessa como algo concedido por sua
autoridade.
Isso revela um princípio importante: a iniciativa da
aliança pertence a Deus. Ele promete, estabelece e concede. O povo deveria
responder com fé e obediência.
2. “Entrai e possuí a terra”
Depois da promessa vem o mandamento: “entrai e possuí”.
Israel não deveria permanecer parado diante da promessa. Era
necessário avançar.
A fé bíblica não é passividade. Confiar em Deus significa
também obedecer quando Ele ordena que avancemos. A promessa não eliminava a
responsabilidade do povo; pelo contrário, chamava-o a agir de acordo com a
Palavra recebida.
O povo precisaria enfrentar desafios, atravessar territórios
e depender continuamente do Senhor.
3. “Que o SENHOR, com juramento, deu a vossos pais”
A promessa estava fundamentada no caráter de Deus. O Senhor
havia feito um juramento aos patriarcas.
Isso significa que a esperança de Israel não dependia da
capacidade humana, mas da fidelidade de Deus à sua Palavra.
Deus não precisava jurar por ser incapaz de cumprir sua
palavra; o juramento reforçava a certeza da promessa diante de um povo que
facilmente poderia duvidar.
4. “Abraão, Isaque e Jacó”
Moisés conecta a geração que estava diante da Terra
Prometida com as gerações anteriores.
Abraão, Isaque e Jacó representam a continuidade da
promessa. Israel não estava vivendo uma história isolada; fazia parte de um
propósito que Deus vinha conduzindo através das gerações.
Isso nos ensina que Deus trabalha dentro de uma perspectiva
muito maior do que a nossa. Aquilo que Ele começa em uma geração pode alcançar
outras.
5. “A eles e à sua descendência depois deles”
A promessa tinha uma dimensão geracional. Deus estava
conduzindo seu povo dentro de uma história de aliança.
Isso nos ensina que a fé não deve ser tratada como algo
exclusivamente individual. O conhecimento de Deus, a Palavra e os testemunhos
de sua fidelidade precisam ser transmitidos.
O povo deveria entrar na terra não apenas pensando em si
mesmo, mas também nas gerações que receberiam aquela herança.
APLICAÇÃO PESSOAL
Deuteronômio 1.8 nos confronta com três responsabilidades:
O livro da aliança nos ensina que Deus é fiel à sua
Palavra e espera de seu povo uma resposta de fé, obediência e perseverança.
VERDADE ESPIRITUAL
A aliança nos lembra que Deus é fiel às suas promessas, e
a fé verdadeira responde à fidelidade de Deus com obediência, avanço e
compromisso com as próximas gerações.
Não devemos viver presos ao medo quando Deus nos chama a
avançar.
A promessa de Deus não é um convite à acomodação, mas um
chamado para caminhar com Ele.
Quem conhece a fidelidade de Deus pode avançar pela fé,
mesmo quando ainda não consegue enxergar todo o caminho.
ORAÇÃO
Senhor Deus, Obrigado porque Tu és o Deus da aliança,
fiel às Tuas promessas e constante em todos os Teus caminhos. Ajuda-me a
lembrar aquilo que Tu tens falado por meio da Tua Palavra. Quando o medo tentar
me paralisar, dá-me fé para avançar. Quando as dificuldades surgirem, faze-me
confiar na Tua fidelidade. Ensina-me a não viver acomodado diante das
promessas, mas a responder à Tua Palavra com obediência e disposição para
caminhar contigo. Que a minha vida também seja uma influência espiritual para a
próxima geração. Que eu possa transmitir fielmente a Tua Palavra, ensinar os
Teus caminhos e deixar um testemunho de fidelidade que aponte para Ti. Senhor,
ajuda-me a viver como alguém que pertence à Tua aliança, confiando na Tua
graça, obedecendo à Tua Palavra e avançando pela fé. Em nome de Jesus. Amém.
DEUTERONÔMIO: O LIVRO DA ALIANÇA
(Subsídio da Revista
Ensinador Cristão)
Prezado(a) professor(a), a Paz de nosso Senhor e Salvador
Jesus Cristo. Estamos iniciando um novo trimestre de estudos com a revista
Lições Bíblicas Adultos, editada pela CPAD. Nesta alegre oportunidade,
aprenderemos que Deus firmou um concerto com os israelitas e estabeleceu Leis
que eles deveriam obedecer integralmente. Por essa razão, Moisés apresenta um
belo discurso reafirmando a fidelidade a Deus.
O estudo sobre o livro de Deuteronômio traz uma reflexão
profunda sobre a centralidade das Escrituras em nosso relacionamento com Deus.
O povo israelita recebeu, por intermédio de Moisés, várias orientações no
tocante a preservar uma fé obediente aos preceitos da Lei, bem como a viver em
santidade e fidelidade para com Deus. O discurso de Moisés na planície de Moabe
era uma forma de trazer à memória do povo o propósito para o qual o Senhor o
havia guiado durante quarenta anos desafiadores pela travessia pelo deserto.
Ali, Deus moldou a fé e o caráter do povo a fim de prepará-lo para tomar posse
da Terra Prometida. Em todas as etapas do discurso, a centralidade da Lei
recebe atenção especial.
De acordo com a Bíblia de Estudo Pentecostal — Edição
Global (CPAD), “Moisés rememorou intensamente o concerto de Deus com Israel
em três sermões ou discursos inspirados: 1. O primeiro discurso de Moisés
recordou a história de Israel — enfatizando a dúvida persistente do povo e a
sua rebelião desde que eles deixaram o monte Sinai — e convocou a nova geração
para que evitasse os erros do passado e reverentemente temesse e obedecesse a
Deus (Dt 1.6 — 4.43); 2. O segundo discurso de Moisés relembrou e aplicou
muitas leis do concerto referente a questões como a adoração, o sábado, os
pobres, as festas anuais, os direitos de herança e propriedade, a imoralidade
sexual e a preservação da justiça (Dt 4.44 — 26.19); 3. O terceiro discurso de
Moisés foi uma profecia a respeito das bênçãos e maldições que o povo receberia
como resultado de sua obediência e desobediência (Dt 27.1 — 30.20). Os
capítulos restantes incluem o ato de Moisés de comissionar Josué como seu
sucessor e um testemunho sobre a morte de Moisés (31.1 — 34.12)” (2022, p.300).
O destaque dado por Moisés à Lei nos lembra a admoestação de
nosso Senhor Jesus a respeito de examinar as Escrituras. São elas que
testificam de Cristo e, por intermédio de seus ensinamentos, aprendemos o que é
indispensável para alcançar a vida eterna (Jo 5.39).
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Deus, Compartilhe com seus amigos esse devocional. Obrigado!




